Por anos, o Tesouro Direto foi a resposta padrão para qualquer brasileiro que perguntasse onde começar a investir. Seguro, acessível, com rendimento decente. A resposta ainda é válida em 2025 — mas com nuances importantes que mudaram nos últimos 18 meses.

A principal mudança é o ambiente de juros. Com a Selic em trajetória de queda depois de um longo período em patamares elevados, a escolha entre os diferentes títulos do Tesouro passou a fazer diferença real no retorno de longo prazo.

Os títulos disponíveis

O Tesouro Selic continua sendo a melhor opção para reserva de emergência e dinheiro que você pode precisar no curto prazo. Ele acompanha a taxa básica de juros, tem liquidez diária e praticamente não tem risco de perda se você precisar resgatar antes do vencimento.

O Tesouro Prefixado e o Tesouro IPCA+ são para objetivos de médio e longo prazo — e aqui está a decisão mais importante. Se você acredita que os juros vão cair, o Prefixado tende a se valorizar. Se você quer proteção contra inflação para objetivos de longo prazo, o IPCA+ é mais adequado.

"Tesouro Direto não é um produto. É uma plataforma com vários produtos diferentes. Tratar todos como a mesma coisa é o erro mais comum que vejo nos investidores iniciantes."— Paulo Henrique Mota, editor de investimentos do VaultBR

O que mudou em 2025

A principal mudança prática foi a ampliação dos títulos com vencimentos mais longos. O Tesouro IPCA+ 2060 passou a atrair mais atenção de investidores que pensam em aposentadoria — e com razão. Para quem tem horizonte de 20 anos ou mais, a taxa real oferecida ainda é competitiva em comparação com alternativas de risco similar.

Outro ponto relevante: a tributação não mudou, mas o impacto dela mudou com os juros menores. Com rendimentos mais baixos, o IR proporcional pesa mais. Vale considerar o prazo de cada investimento para aproveitar a alíquota menor de 15% nos resgates acima de dois anos.

Para quem é indicado

O Tesouro Direto continua sendo a melhor porta de entrada para quem está começando. Sem taxa de custódia para investimentos abaixo de R$ 10 mil no Tesouro Selic, com aplicações a partir de R$ 30 e interface simples, ele remove as principais barreiras para o investidor iniciante.

Para quem já tem uma base construída, o Tesouro Direto pode conviver com outras classes de ativos — fundos, ações, FIIs — sem que um substitua o outro. A diversificação é sobre objetivos diferentes, não sobre abandonar o que funciona.